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O dia mais importante da nossa vida é hoje

6 de set.
4 min de leitura

A minha última publicação foi em Maio. Na altura, escrevi sobre como o esgotamento me tinha levado a procurar uma vida mais leve. Desde então, passaram-se alguns meses e não consegui ser tão consistente aqui no blog e nas redes sociais como gostaria. Mas, curiosamente, talvez isso também faça parte do processo que tenho vivido. Estou ainda a reaprender a viver, a reconhecer os meus limites, a respeitar o meu ritmo e, sobretudo, a quebrar alguns dos padrões que me trouxeram até ao lugar onde adoeci. E isso não acontece de um dia para o outro.


Tenho aprendido que uma vida mais leve não significa deixar de sonhar, trabalhar, cuidar da família, fazer planos, querer crescer ou ter objectivos. Significa aprender a escolher: escolher melhor as minhas batalhas, as minhas prioridades e onde coloco a minha energia, sem perder a minha identidade. Porque continuo a ser a mulher que gosta de aprender, organizar, cuidar, criar, trabalhar, viajar, conversar, experimentar coisas novas e ter projectos. Não quero tornar-me uma versão de mim mesma que simplesmente faz menos. Quero ser uma versão de mim que vive melhor.


E está tudo bem. Tenho vivido com mais paz, leveza e tranquilidade. Há dias melhores e dias mais difíceis, naturalmente, mas existe em mim uma sensação que durante muito tempo não consegui sentir: a de que não preciso estar sempre a correr atrás da próxima coisa. Talvez por isso também não queira voltar ao blog com um calendário rígido, uma obrigação ou uma nova meta de produtividade. Quero estar aqui quando tiver alguma coisa verdadeira para dizer. E hoje tenho.


Passamos muito tempo a olhar para trás ou para a frente. Pensamos no que aconteceu, no que deveríamos ter feito diferente, no que ainda queremos conquistar, no que precisamos organizar e no que vai acontecer amanhã. Tudo isso faz parte da vida. Precisamos aprender com o passado, sonhar, desejar, planear e trabalhar pelos nossos objectivos. Mas há uma coisa que não podemos esquecer no meio de tudo isso: o hoje é a única parte da nossa vida que estamos efectivamente a viver. O passado já foi. O futuro, só Deus sabe o que será dele. E o hoje está aqui. É nele que estão as pessoas que amamos, as oportunidades que temos, as pequenas coisas que tantas vezes passamos por cima enquanto estamos ocupados a preparar o que vem depois.


E talvez viver uma vida mais leve seja, em parte, aprender a não sacrificar constantemente o presente em nome de um futuro que ainda não chegou.


Eu continuo a gostar de organizar, aliás, talvez hoje goste ainda mais. Mas estou a perceber que organização não deve servir para controlarmos cada minuto da nossa vida, deve servir para nos ajudar a viver melhor. Planear é bom. Ter prioridades é bom. Fazer listas é bom. Organizar a casa, as finanças, o trabalho e a semana é bom. O problema começa quando a organização deixa de ser uma ferramenta e passa a ser mais uma fonte de pressão. Hoje, gosto de pensar na minha vida de uma forma muito mais simples: não preciso de fazer vinte coisas num dia para sentir que o dia valeu a pena. Às vezes, três a cinco coisas importantes são suficientes. Uma tarefa relacionada com o trabalho, uma coisa pela minha saúde, uma pela família ou pela casa, alguma coisa por mim e, se possível, alguma coisa pela minha espiritualidade. O resto pode esperar. Nem tudo o que é importante precisa de ser feito hoje, e nem tudo o que pode ser feito precisa de ser feito.


Talvez esta seja uma das maiores aprendizagens desta fase: escolher. Escolher o que merece a minha atenção, as pessoas com quem quero estar, as conversas que valem a pena, as batalhas que quero travar, onde gasto o meu dinheiro e onde gasto a minha energia. Escolher quando dizer sim e aprender a dizer não sem sentir que estou a perder alguma coisa. Ainda estou a aprender, por isso, talvez este blog também seja um lugar para esse processo. Não quero aparecer aqui apenas quando tiver tudo resolvido, quero poder partilhar o caminho, as pequenas mudanças, as coisas que estou a descobrir e as perguntas que ainda não sei responder. As formas simples que estou a encontrar para cuidar melhor de mim, da minha família, da minha casa, das minhas finanças, da minha espiritualidade e dos meus sonhos. Sem perfeição, sem pressa e sem a obrigação de estar sempre presente, mas presente quando tiver algo que realmente valha a pena partilhar.


E é isso que quero levar comigo nesta fase: não preciso de deixar de construir o amanhã para conseguir viver o hoje. Posso organizar, planear, trabalhar, poupar, cuidar da minha saúde, ter objectivos e continuar a sonhar. Mas também posso parar, olhar à minha volta e reconhecer que a vida que estou sempre a tentar construir para o futuro já está a acontecer. Posso desfrutar das pessoas que amo, agradecer pelo que tenho, cozinhar, conversar, rir, rezar, descansar, dançar, cuidar de mim e simplesmente estar.


Talvez seja essa a verdadeira leveza que procuro: não uma vida sem planos, mas uma vida em que os planos não me impedem de estar presente, uma vida em que continuo a querer mais, mas consigo também agradecer pelo que já existe. Uma vida em que faço o que precisa de ser feito, mas deixo espaço para viver aquilo que não estava planeado. Porque o futuro merece os nossos sonhos e os nossos planos, mas o presente merece a nossa presença.


E tu, estás a viver o hoje ou apenas a preparar-te para o amanhã?

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